sexta-feira, maio 11, 2007

Três olhares (ou quatro ou cinco)

O texto de Pacheco Pereira sobre o (excelente) livro de crónicas de Jorge Silva Melo e a geração dos dois: "Não há uma linha deste livro que não esteja impregnada pela memória, a forma agressiva da memória dos cultos, presa a mil e uma referências, mil e um olhares no ecrã, no palco, absolutamente fundida pelos livros, apetece dizer de forma grossa e completamente verdadeira, fodida pelos livros (...) Éramos inteiramente, ontologicamente incapazes de ver, sem de imediato termos a consciência de o que estávamos a ver era para ser recordado." Mal por mal, prefiro a caminhada de Armando Silva Carvalho - "a dada altura senti muito a influência do João Cabral de Melo Neto, fiquei muito espantando com aquilo, gostava imenso. E pensei: isto pode ser feito assim dentro de minha casa, da minha fábrica. Mas o que eu lia do Melo Neto eram alguns poemas e três o quatro críticas que o Gaspar Simões lhe fez. Daí eu dizer que essa dessacralização (da escrita) é fruto da ignorância (muito relativa, acrescento eu). Não sou realmente um autor muito culto". Hunter S. Thompson (também no Público) preferiu a terceira via: contar o que viu, o que fez, o que imaginou que podia ter feito e não fez como se tivesse feito. É aí, entre o deslumbramento com a coisa, a incultura nada relativa e o detalhe, que estou eu e o (pouco) que escrevo.

1 Comments:

Blogger Zé Ninguém said...

Isto é que choca:

http://absolutamenteninguem.blogspot.com/2007/05/asae-do-caraas.html

Mais situações marcantes em:

http://absolutamenteninguem.blogspot.com

Tenham medo!

8:45 da tarde  

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