quarta-feira, abril 26, 2006

Jornalismo policial de microfone

O JPH escreveu aqui sobre jornalismo de antecipação. Revejo-me em tudo o que ele escreveu (sim, eu sei que é um hábito) e não tenho nada a acrescentar a não ser uma discussão para a qual fui alertado há pouco tempo: a do jornalismo policial de microfone. A este respeito só tenho uma confidência a fazer: não me interessa, nem nunca me interessou. Não tenho nada contra jornalistas que - aproveitando as cisões do Ministério Público com a PJ, da PJ contra a PJ, da Procuradoria contra os políticos e dos políticos contra tudo e contra todos - recebem informações que reproduzem e que, depois, são reproduzidas, com a devida dose de espectáculo, pelas televisões. Repito, não tenho nada contra esses jornalistas mas começo a ficar muito farto de grandes escândalos que não dão em nada. Só para citar alguns casos recentes: Operação Furacão, Valentim Loureiro, Felgueiras e o PS, Pinto da Costa e muitas das incidências do processo Casa Pia. E sim, é verdade que eu próprio já fiz histórias do genéro. Com uma pequena diferença: sabia muito bem que estava a ser manipulado, só as fiz porque fui obrigado (directamente ou pela pressão de ter de produzir grandes cachas) e defendo, desde há muito, que as primeiras páginas dos jornais não devem viver destas histórias. Não gosto de ser marioneta. Muito menos dos agentes de justiça que por aí abundam.

Nota tranquilizadora para os que se preocupam que os grandes escândalos fiquem por contar: não faltam candidatos aos lugares de jornalista policial de microfone...

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Grande post.
Ontem, enfastiado pelos comentarios, dos comentaristas do costume, a dizerem as coisas do costume, nos sitios do costume, fiz zapping e deparei no Biography Channel com a historia de Mr. Good Nigth, Good Luck himself. O que aquele homem fez, o que lutou, o que sofreu, o que chorou. E pensei no jornalismo e em meia duzia directores de jornais cá do burgo, sempre de espinha curvada, a manipularem o publico atraves de fontes anónimas e interesses corporativos e partidários, a sua volubilidade e a volatilidade do seu caracter.
Não, não são os tempos que são diferentes, é a falta de coragem, a sacanice, o clientelismo.Não, jornalismo para mim não é para qualquer um.Quando penso num Baptista bastos, num Carlos Narciso e muitos outros, que me pegaram na mão e me levaram a conhecer outros lados e perspectivas, que me contaram historias dos pessoas que estavam ao pé de mim, e que eu distraído não via, ou daquelas que estavam tão longe e que eu nem sequer sabia que existiam, a andarem por aí, aos caídos, desalojados por meia duzia de falsários. Porra, é um murro no estômago. 25 de Abril?
Já não acredito, aliás, já ninguem acredita.

Longa vida, fta, longa vida.
Fta, you're the best.

5:32 da tarde  
Blogger Mais Notas Soltas said...

FTA, escreveste histórias sabendo que estavas a ser manipulado? E foste obrigado a fazer isso? Como? Apontaram-te uma pistola à cabeça?

7:37 da tarde  
Anonymous que tristeza said...

Opost do JPH começa por afirmar que "o Expresso enganou-se".
Não creio que o Expresso se tenha "enganado"; o Expresso quiz forçar a mão do PR - a mais simpática das posibilidades - ou mentiu.
De resto, o Expresso é useiro e veseira nessas "jogadinhas", hábito que lhe ficou dos tempos em que o seu sub-director MRS iventou o conceito de "criação de factos políticos",isto é, de manipulação dos agentes políticos.
É pequenino, mesquinho, choquesperto; é jornalismo à portuguesa.

8:59 da manhã  

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