quinta-feira, novembro 23, 2006

Clube de Jornalistas

Imaginem uma hora de propaganda, à noite, na 2, de polícias indignados com os cortes do governo nos seus regimes de saúde. Ou um programa dos médicos, furiosos com o governo por mexer nas suas carreiras. Ou um programa gerido por professores, em que destilavam veneno contra as mudanças na carreira docente que a ministra leva a cabo. Ou uma hora de tempo de antena dos juízes, possessos por terem menos descanso nos meses de Verão, fruto das políticas do Executivo. Sem contraditório, sem uma leve sombra de questionamento ou de distanciamento.
Nada disto é possível, na televisão portuguesa. Mas os jornalistas (ou pelo menos alguns) têm direito a um programa na 2, à noite, em que podem livremente descarregar toda a sua bílis no governo, porque vai acabar com a caixa dos jornalistas (um subsistema dentro do sistema de saúde, com melhores condições do que o sistema geral a que o comum dos portugueses tem acesso). Uma hora do mais provinciano corporativismo, do umbiguismo mais ridículo, e da cegueira mais fulminante de que há memória. Nem por um segundo alguém usou aquela antena paga por todos nós para se questionar se a medida do governo (terminar com os subsistemas e, como tal, com o que existe para os jornalistas) pode ser justa. Ou inevitável. Ou sequer razoavelmente aceitável. Se pode ser justa no sentido do bem comum (que vai além do quintalzinho da jornalistada) e não justa no sentido de saber se é boa para A ou má para C.
Lamentável. E depois são aqueles mesmos senhores e senhoras que - enquanto pediam migalhas ao Estado, borrifando-se na generalidade dos cidadãos de quem aliás se reclamam grandes defensores - se queixam, como queixavam, da degradação das condições de trabalho e dignidade dos jornalistas portugueses.
O programa em causa é o Clube de Jornalistas. A emissão deu esta quarta-feira à noite. Eu sou jornalista há dez anos (e há dez anos que desconto e usufruo da tal caixa que vai acabar). Eu sou contra a manutenção de regimes de excepção para os jornalistas. Eu vou continuar a ser jornalista. Eu vou continuar a fazer os descontos para o mesmo regime que todos os cidadãos (para ter em troca direito a serviços pagos pelo Estado e para contribuir para o bem comum). Eu, se hoje voltasse para trás e enquanto estudante de jornalismo, tivesse visto este programa, tinha decidido mudar de curso e ir por outro caminho.
Olhem, bomito monelhos de cavelos perante o que vi!!!

8 Comments:

Blogger Carlos Alberto said...

Vi e achei um nojo. Aquilo que eu vi, representa a classe?
Deus, nos valha.

4:30 da tarde  
Anonymous Ernesto said...

Não vi e achei um nojo

6:21 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

O problema é que tu pertences ao 1% de jornalistas que ganha para cima de muito e não precisas de ter preocupações com a saúde. Porque se tivesses dores de cabeça para pagar uma merda de uma consulta qualquer, já nao arrotavas postas de pescada assim. O programa pode ter errado, mas deixem la estar a caixa de jornalistas. É dos poucos (senão o único) benefícos da profissão....

7:17 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Sou jornalista há 33 anos. Estou desempregado. Descontei para a Caixa. Hoje não tenho subsídio de desemprego nem acesso à Caixa. Vi o programa. Não gostei porque o apresentador é atrasado mental e odeia toda a gente e porque não convidaram para estúdio o contraditório. Fiquei surpreendido como é que a Maria Antónia Palla, em vez de ir para ali dizer mal do Governo telefonava ao filho António Costa (ministro) e dizia-lhe que a situação na Caixa é blá, blá, blá e o filho respondia-lhe "Tá bem mamã eu vou dizer ao Sócrates que a situação na Caixa dos Jornalistas está blá, blá, blá" e o Sócrates dizia ao ministro das Finanças que a situação na Caixa dos Jornalistas está blá, blá, blá e no final, a solução da Caixa seria aquilo de que se trata há 30 anos que é: blá, blá, blá!

9:55 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

poix, mas o que o sr anónimo diz que o 1% de jornalistas que ganha bem, não é bem 1% .. e se existe este subsistema, então também vou tirar uma carteira profissional .. mt facil de ter uma. basta-me ter 2 conhecidos e jornalistas à mais de n tempo, e dps começo a usufruir da caixa mesmo não estando a exercer a profissao. bonito, não é ?

10:30 da manhã  
Anonymous Máquina Zero said...

Lá se perdia um assessor...

12:00 da manhã  
Anonymous Máquina Zero said...

.. se o FTA não tivesse seguido Jornalismo!

12:02 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

então... mas aí o problema continua a não ser da caixa de jornalistas, e de quem dela precisa, mas da verificação que se faz ou nao de quem é efectivaente jornalista... mas, já agora, para ter acesso à caixa de jornalistas, não bast ter carteira profisisonal... é preciso estar efectivamente a descontar para a dita caixa.... que tem um período de carência e tal e coisa e por aí fora...

8:17 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home