sábado, agosto 26, 2006

Homenagem do canil a Figo*

"Escrevia o Guardian no dia seguinte ao jogo entre Portugal e França que Figo tinha presença. Que a cara de Figo "é a de um padre que ouviu uma confissão a mais do que devia". Já Valdano escrevia há uns anos que "Figo tinha o físico de um atleta, a cabeça de um funcionário e os pés de um bailarino". No blogue Memória-Inventada, Vasco Barreto vai ainda mais longe. Explica que Figo sou eu: "Percebo agora que a longevidade do futebol do Figo não me é indiferente. Somos praticamente da mesma idade. Oiço falar dele desde a adolescência. Quando o Figo deixar de jogar sei que me vou sentir mais velho. A aproximação à velhice não é gradual e previsível; é quântica e inesperada. A fantástica metamorfose que foi ocorrendo em Figo, aproximando-lhe o rosto ao de uma estátua, nem chegou a ser um aviso."E sim, é verdade, não estou preparado para o adeus de Figo. Figo é só o jogador mais importante de sempre do futebol português. Eusébio é uma abstracção; Carlos Manuel um golo contra a Alemanha; Futre um fogacho e Rui Costa um príncipe sem coroa. Deco e Cristiano ainda estão por cumprir e o resto são guarda-redes, defesas, trincos ou laterais. Figo é o Mundial de sub-20; Figo é o homem a fintar toda a equipa da Académica num jogo clandestino do campeonato nacional; Figo é o pesadelo de Roberto Carlos no melhor Barcelona de sempre; Figo é galáctico; Figo é o golo contra a Inglaterra em 2000; Figo é o jogo contra a Holanda em 2004; Figo é a revolta contra a velhice no golo a Angola; Figo é o Bola de Ouro. Figo é o melhor momento do mundial 2006 - a troca de camisolas ensopadas com Zidane. Figo é ficar orfão com pai e mãe vivos. Figo é o que Manuel Alegre dele disse: "Pelos campos do mundo senha e signo/ ele não desiste e nunca repete/e em cada rua é um menino/ de camisola número sete./Pelos campos do mundo seu nome é quem nos diz/ele corre e finta e dribla e com seus pés/ pelos campos do mundo escreve o seu destino./Por isso diz-se Figo e é um país/ com ele o sonho é português". Figo são dois cidadãos do Quirguistão a explicarem-me no estádio de Gelsenkirchen que o homem que conduz a bola tem como nome completo "Luís Filipe Madeira Caeiro Figo". Figo é Figo."

*Publicado no último número da Revista Atlântico

13 Comments:

Blogger Carminda Pinho said...

Li há pouco na Bola online que, mais uma vez Figo foi fundamental para a sua equipa, agora em Itália.
Como escreveu Alegre "...Por isso diz-se Figo é um País/com ele o sonho é português"
Comungo por isso, da "Homenagem do Canil a Figo".

1:09 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Eu lá concordar, concordo.
Mas quanto ao link proposto: utilizei-o na vaga esperança de que o blog nada tivesse a ver com a publicação extremista que usa o mesmo título; infelizmente, tem.
Que FTA escreva num pasquim belicista e a ressumar ódio e racismo, tudo bem.
Agora, que se orgulhe disso...

10:19 da manhã  
Blogger JPT said...

eu também sou figófono. mas caramba, isto está de cortar os pulsos...

9:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Acabei de engolir o meu vómito...

9:57 da manhã  
Blogger FTA said...

Bem-vindo JPT. Já tinha saudades suas. A prosa era exagerada propositadamente...

11:25 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

"A prosa era exagerada propositadamente..."
Como foi publicada numa revista extremista, está bem.

11:48 da manhã  
Anonymous José Luís Pereira said...

Do Figo já sabia muita coisa... exagerada e até aquilo que, os mesmos interesseiros cronistas/bajuladores não quiseram escrever no recente regresso a Alvalade onde se fez tábua rasa da sua fuga do Sporting há 12 anos e de uma multiplicidade de ordinarices a mudar de clubes...
Agora da revista Atlântico tenho lido alguma coisa sobre textos esquisitos. Não tinha lido, ainda, sobre o cariz ou "carácter" da revista. Obrigado por esta parte. A outra, do Figo fugitivo e mal agradecido (Sporting, Juve-Parma, Barcelona) se quiserem avivo a memória...

12:17 da manhã  
Blogger blue velvet said...

Aquilo que se lê todos os dias nos jornais desportivos sobre o Figo, ou se lia sobre o Rui Costa, é sempre inundado de um nacionalismo cego que faz sempre com que eles sejam os melhores em campo. Sei que muitas vezes o serão, principalmente o grande Figo, mas a qualidade deles dispensa favores do corporativismo dos jornalistas. Tal como se passa com a selecção... Quando o Amor é incondicional deixa de ser amor e passa a obsessão, doença.

Gostei do blog.
Visitem o Blue Velvet em www.thebluevelvet.blogspot.com

12:11 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

"figófono",jpt?
Quererá dizer "fig´filo",não?

5:52 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Bonito texto, quase lírico. E verdadeiro como nos habituou o FTA. É pena que venham aqui uns anónimos destilar inverdades de extrema-esquerda sobre uma revista como a Atlântico. Será por não se de esquerda. Porque "pasquim belicista" é mesmo do BE. E a ressumar ódio e racismo, é preciso imaginação. De resto, parabéns!!!

8:01 da tarde  
Blogger JPT said...

Não, "anónimo", não só isso. Figófono mesmo. Viva a Figofonia, meu lema durante este mundial - até blogada lá pelos meus recantos.
(a figofilia é mera condição ontológica, a figofonia é ideologia assumida)

9:16 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

jpt: "figofonia" quer dizer que fala "figuês" ou então emite sons "figueses".

12:41 da tarde  
Blogger GÊ OITO said...

Como é bom usar um texto ao estilo do Sub-comandante Marcos na revista da nova direita. Eles perceberam a blague?

9:49 da tarde  

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